Interdisciplinaridade

               REPENSANDO AÇÕES INTEGRADAS
                                                                                                                                       
                                                                                                                                                          
                                                                                                                                                            Maria Helena Campos Pereira [1]
                                                                                                                                        Doutoranda UMa
                                                                                                               maria-helenacampos@hotmail.com
RESUMO
 
Este texto escrito em forma de acróstico tem como objetivo apresentar uma síntese do entendimento da autora a respeito da interdisciplinaridade. O trabalho de síntese é fruto de uma grande pesquisa realizada de forma empírica com diálogos, entrevistas e revisões bibliográficas. Neste contexto, fundamenta-se principalmente, nas obras de Ivani Fazenda com suas diversas abordagens a respeito do assunto.
Palavras chave: Interdisciplinaridade, planejamento integrado, objeto de estudo.
Inicia com desnudar o passado e vislumbrar o futuro
No início há um planejamento integrado, o
Tradicional é abandonado em parte…
E o novo é visto por toda equipe como forma de
Renovar a prática educativa.
Disciplinas e pessoas
Integram-se automaticamente
Se todos estabelecem um “objeto de estudo”, através do
Consenso e pesquisa das necessidades vigentes  é
Indiscutível que o aprendizado fica mais agradável porque o
Ponto de convergência de todos, “tema ou objeto de estudo” é analisado e
        estudado em suas várias facetas, e a
Liberdade de ação igualitária se faz necessária.
Intensivo trabalho poderá acontecer porque
Na vida nada acontece por acaso, há sempre uma força maior que impulsiona o reviver…
Artes cênicas, plásticas, musicais… fazem parte dos projetos pedagógicos!
Reavivam, reanimam, fazem renascer a
Inesgotável busca do holístico, perseguindo e
Descobrindo ……
Ações de futuro para que possamos reviver e
Deslumbrar com dignidade, honradez, solidariedade e humanização, uma
Educação de qualidade para TODOS.
                  
CONCEPÇÕES DE INTEGRAÇÃO E INTERDISCIPLINARIDADE
A palavra interdisciplinaridade já diz por si só, inter que implica em ação integrada, e disciplina, refere-se à integração de temas, conteúdos e módulos de estudo, o sufixo “dade” é que amplia ainda mais a visão desta concepção de trabalho educativo, a qual deve se espandir para além dos muros da escola. Isto significa que o trabalho educativo não se restringe aos quatro cantos da instituição educativa e sim, à toda comunidade em um trabalho conjunto, interdiciplinar. Por isso, o início desta síntese se inicia com desnudar o passado e vislumbrar o futuro, e no início há um planejamento integrado, o tradicional é abandonado em parte e o novo é visto por toda equipe como forma de renovar a prática educativa, e neste caso, disciplinas e pessoas, automaticamente, se integram. Nesta concepção, pode-se entender que a integração pode ser pluri, multi, inter ou trans, pluridisciplinaridade; multidisciplinaridade; interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, cada uma com a sua forma de ser e acontecer as vivências itegradas na escola e em sua extensão comunitária. Portanto, inter significa integração, união, ou seja, a necessidade um do outro, e disciplina requer a reflexão de uma autogestão, para que se possa inter-relacionar ao outros seres humanos e também ao estudo integrado dos temas emergentes e das disciplinas em foco.

Planejamento integrado
Ao desnudar o passado há um diagnóstico das ações, com levantamento das necessidades, suas causas e consequências. Esta pode ser a parte mais difícil de se entender, porque até então, é perceptível a dificuldade existente entre os indivíduos para a elaboração de trabalhos integrados. Entende-se que o individualismo e a cultura do ser melhor que o outro, a necessidade de apresentar um trabalho individual para que os chefes possam fazer elogios, tem dificultado esta visão do plano integrado, ou seja, o plano interdisciplinar.

Objeto de estudo
Se todos estabelecem um objeto de estudo, através do consenso e pesquisa das necessidades vigentes  é indiscutível que o aprendizado fica mais agradável porque o ponto de convergência de todos, tema ou objeto de estudo é analisado e estudado em suas várias facetas. Assim como Morin (2010), em seu livro “Cabeça em Feita” entende-se que não é mais possível neste mundo em evidência nos determos a uma educação grotesca, fragmentada, estilhaçada, sem preocupação com os desamparos mentais, onde se perde o fio que entrelaça as partes, como se não houvesse uma coluna dorsal no sustentáculo da vida. De acordo com este autor a educação necessita de reformas, e a maior reforma é do pensamento que desde o Iluminismo, Kant já enfatizava que a educação necessita do Iluminismo e o Iluminismo da educação. Isto porque, é inconcebível continuarmos com pensamentos e assuntos fragmentados no processo educativo, se o mundo é global, as necessidades são globalizadoras e planetárias. Portanto, cada objeto de estudo, coisa, ser, ou coisa, quer racional ou nas veias sujetivas, deve ser estudado em suas mltiplas facetas. 
Relações interdisciplinares 
               
Ao fazer esta abordagem a res peito da relações interdisciplinares, entende-se que é possível que haja na gestão educativa uma liberdade de ação igualitária. Assim, um intensivo trabalho cooperativo poderá acontecer porque, na vida nada acontece por acaso, há sempre uma força maior que impulsiona o reviver.Já ultrapassou a hora de se planejar e realmente realizar ações educativas e práticas pedagógicas de qualidade com a participação da maioria dos educadores. Neste contexto, as artes cênicas, plásticas, musicais devem fazer parte dos projetos pedagógicos, porque elas reavivam, reanimam, fazem renascer a inesgotável busca do holístico, perseguindo e descobrindo ações de futuro para que possamos reviver e  deslumbrar com dignidade, honradez, solidariedade e humanização, uma educação de qualidade para todos, onde as relações de integração aconteçam de fato, e que a preocupação educativa aconteça nos diversos níveis, culturais, sociais e políticos. Não no sentido figurado da palavra política, mas no que se relaciona à de  boa vizinhança e de cooperação.

Ideias conclusivas

E a vida é interdisciplinar! O corpo é um todo complexo com 75% de água, e biologicamente falando somos a essência da gotinha amniótica, o líquido da vida. Ecologicamente pode-se dizer que este líquido faz parte da natureza, compõe a vida em todo o planeta, faz brotar a semente e reviver vidas empesteadas. A matemática da vida está no campo, na vida urbana, em todos os lugares e nas relações com os outros seres humanos. E como diz a música, “you need me”, você necessita de mim, somos dependentes uns dos outros e a vida nos ensina desde o principiar da gestação, o nascer e o viver.  Dont forget me, a vida parece nos cobrar a cada minuto, somos dependentes e co-participantes uns dos outros, os seres humanos nos procuram nas esquinas da vida, as artérias e coronárias se assemelham às alamedas e destinos geográficos, como se à busca do líquido da vida e da vida em si. Somos interligados pelas vias biológicas, então, por que a dissociação disciplinar ao invés de incrementar esta interligação na esfera social? A vida é completamente interligada, por isso é imprescindível repensar as ações integradas, nas organizações escolares, empresariais e nas intituições sociais. O mundo necessita de pessoas com atitudes humanísticas.



[1] Maria Helena Campos Pereira – Mestre em Ciências da Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Enrique José Varona. Havana, Cuba. Doutoranda pela Universidade da Madeira – UMa – Funchal, Portugal. Professora da Unipacgv, 2003/2013
FAZENDA, Ivani Arantes. Didática e Interdisciplinaridade.

_________. Práticas Interdisciplinares na Escola.

DESPEDIDA EM VIDA

                                                Maria Helena Campos Pereira[1]
Não chore o tempo perdido, nem os dias longe de mim.
Fique atento aos outros momentos com pessoas perto de ti
Sei que tudo na vida é difícil, mas é lei, precisamos viver.
Há prazeres e também alegrias e há dias de despedir.
Fui criança, e jovem amiga, todavia eu envelheci.
Hoje, deixo as minhas poucas lembranças do tempo que aqui  vivi
Os versos são meus desabafos, prefiro assim a chorar.
Sei que a lágrima é muito importante, contudo escrever é amar.
Tem pessoas que não valorizam o tudo que por ti fez
Se na vida te entristeci, desculpa não foi por vingança.
Nem tudo no tempo são flores, há conflito e muita bonança.      
Mas viver é poesia é romance e tem seus topes de amores
Não sofra porque estou de partida,  frustrações e alegria vivi
Há momentos que  calar é preciso,  e  despedir com estilo.
Não sofra se o mundo é cruel, quem sabe viver é no céu?


[1] CAMPOS, Maria Helena C. Pereira. Despedida em vida. Governador Valadares: 07/10/2012. Fiz tudo para ser, viver e conviver com grande estilo, mas a vida decepciona a gente e tem hora de calar. Hoje estou assim, cega muda e surda, prefiro não me expressar. Deixo pra traz tudo que amei, mas quem sabe morrer é amar?

Professor

Homenagem aso professores

           Professor faze da tua escola um jardim florido, onde todas as flores possam exalar perfume, em consequência das gotas d’agua que tu jogaste.
           Regar é nosso trabalho, mesmo que as flores não consigam estar florecendo.
           O regador é forte e suficientemente preparado para enfrentar as controvérsias e entepéries do ambiente.
           Parabéns a todos.
                            Maria Helena Campos Pereira
                                    10/10/2012

Hebe, a dama imortal

HEBE, A DAMA IMORTAL

Nasceu em Taubaté, pessoa simples, grande comunicadora.
Era fã de Carmem Miranda por isso a imitou num programa de calouros
E foi gongada na época, mesmo assim, não desanimou,
Iluminou por longos anos,  a rádio nacional e os palcos da TV.   
 
Sua comunicação era crítica, construtiva, questionadora e destemida.
Contagiava as pessoas com sua alegria, seus selinhos e suas gracinhas,
Inteligente, generosa, de caráter, amorosa e protetora das pessoas.
Era carismática e conseguiu impulsionar a carreira de sambistas e artistas
Nestes últimos anos lutou por viver e continuar nos palcos da televisão
Professora da convivência, do amor e amizade entre os humanos,
Irreverente, uma estrela azul [1][1] que adorava e acreditava muito na vida, 
Uma Diva carinhosa que representava a emoção e contaminava a todos
Hora da despedida, foi cantora e fez cinema, instantes na mídia,
Hoje seu camarim está vazio, seu microfone calou para sempre, e …
Foi-se como neblina que se dissipa em dias de primavera,
A Dama Imortal da Televisão Brasileira.
Muitas flores pra você!


                                                         Hebe Camargo  † 29/09/2012
                                                                     Homenagem de  Maria Helena Campos Pereira


[1][1]diz Edson e Hudson

Filosofando: Sol é paixão

Filosofando…

          Sol é paixão
                     
                              Maria Helena Campos Pereira

         Quando o sol me abrasa,  tudo é energia
         não no sentido literal, mas na fonte de vida
         nas razões que me fazem desfrutar
         e de tudo que no mundo há.

        No contexto popular é astro dos querubins
        deus de povos, em aldeias e quemércias
        agente da clorofila e fonte de água viva
        a raiz da existência, em um mundo natural

       O sol é belo e me deleita em prazeres
       Tudo de bom e muito especial,
       um toque de marrom com dourado
       nas belas peles de formosas princesas
       
        Na subjetividade,  sol é família,
        amigos que iluminam a vida,
        um profissional empreendedor,
        ou até mesmo, um guia do amor.

———————
Resenha
A poética e estética estão diretamente interligadas, pois são formações expressivas utilizando-se de técnicas de produção que manipulam materiais para construir formas e imagens, sejam essas expressões em forma de dança, canto, teatro ou outro objeto de expressão. Arte quer dizer emoção,  sinceridade,  sentimento da alma e consciência. Todos os dias incentiva-se a criação de trovadores, mas não se criam poetas da alma; criam-se máquinas, e não se criam corações com emoções poéticas.
Estudar os sentimentos, contribuir com o criar e recriar as emoções através de uma música, de uma fala, ou mesmo de um poema ou dança são formas de filosofar que podem ser usadas pelas crianças. Estas são providas muitas vezes de sensações de raiva, alegria, amor e sentimentos de perdas que os envolve na rotina da vida.
Por isso, a filosofia poética tem esse tom ético interligado ao estético, que faz da leitura de mundo, a beleza e subjetividade na produção e interpretação escrita.

O Menino Azul, Filosofia e poética para a infância

Filosofia para crianças e adolescentes
Maria Helena Campos Pereira[i]
Arte poética é a expressão que remete, em primeiro lugar, para Aristóteles (384-322 a. C.) e para o seu conhecimento o tratado sobre a poesia. Ao que se pensa e julga saber, este tratado, composto na parte final da vida do autor, revela o caráter acromático de importância para parte do corpo textual aristotélico.
Uma das contribuições deste filósofo para o processo educacional foi a sua arte poética. E, assim surgiram outras poéticas com autores contemporâneos.
Assim como Aristóteles que teve como objetivo a organização das coisas no mundo, o poema abaixo de Cecília Meireles, também tem essa conotação, e tem contribuído significativamente nas reflexões filosóficas com crianças e adolescentes, ao enfatizar sobre a importância das posturas e valores éticos, e das comparações exixtentes no poema, no qual a autora faz de um burrinho com o ser humano, um burrinho que valoriza a natureza  e tenha posturas mais equilibradas e humanísticas.
                          
                           O Menino Azul
O menino quer um burrinho
para passear.
Um burrinho manso,
que não corra nem pule,
         mas que saiba conversar.
         O menino quer um burrinho
que saiba dizer
o nome dos rios,
das montanhas, das flores,
– de tudo que aparecer.
O menino quer um burrinho
que saiba inventar
histórias bonitas
com pessoas e bichos
e com barquinhos no mar.
E os dois sairão pelo mundo
que é como um jardim
apenas mais largo
e talvez mais comprido
e que não tenha fim.
(Quem souber de um burrinho desses,
pode escrever
para a Rua das Casas
Número das Portas,
ao Menino Azul que não sabe ler.)
     Reflexões
     A Filosofia para crianças e adolescentes é importante porque propicia a busca de respostas para suas perguntas, até mesmo no caso de crianças com 2 a 3 anos que já começam as fases do “o que?” “para quê”? “por quê?”, dessa forma, ela terá um esforço intelectual  e pensamento condizente para obtenção de uma análise metódica ou uma resposta adequada aos seus questionamentos.
     E este poema de Cecília Meireles nos leva a compreender a Filosofia como uma arte, em que não se quer dizer apenas uma coisa no texto expresso da literatura infantil, mas permite usar a imaginação e entender que a arte poética e a estética se complementam no caminho da subjetividade literária.
    Portanto, filosofar na infância é contribuir para que as crianças possam aprender a transcedência imaginativa de sua formação oral com destino à escrita.
                                                   ———- X  ———–

     Então, responda o que se pede e faça um texto coerente com a filosofia subjetivista contida no mesmo e com pensamentos transcendentais.

Sugestões para discussões em grupo:
1.  Por que o nome o Menino Azul?
2.  Que tipo de burrinho quer o Menino Azul?
3.  Será que podemos comprar esse burrinho?
4.  Se alguém encontrasse o burrinho tinha, como levá-lo para o Menino Azul?
5.  Na sociedade de hoje, que tipo de burrinho procuramos?
6. A admiração é um dos quesitos básicos para sermos bons filósofos, então, qual a parte do poema que mais implica no processo de admirar?


[i] Maria Helena Campos Pereira é professora de Filosofia para crianças e adolescentes. Mestre em Ciências da Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Enrique Jose Varona / Havana / Cuba e Doutoranda em Educação pala Uma – Universidade da Madeira – UMa/Funchal / Portugal.

ARTE, FILOSOFIA E POÉTICA DA INFÂNCIA

ARTE, FILOSOFIA E POÉTICA DA INFÂNCIA
A sandália que não era de cristal
Maria Helena Campos Pereira[1]  &  Silvana Soares de Almeida Silva[2]
Resumo
Este texto tem como objetivo apresentar a construção do conhecimento filosófico, a partir de ideias metodológicas que resultam em um aprendizado de interesse com os resquícios infantis que influem na idade adulta. Neste contexto, o educando se insere no mundo infantil para retratar os momentos que marcaram a sua vida infantil e a professora coordena a investigação empírica com todos os interessados para filosofar a arte poética da infância.
Palavras chave:
Arte, filosofia, poética, histórias de infância.
Introdução
          A todo o momento, a vida nos ensina coisas inexplicáveis, somos obrigados a vivenciar cenas indesejáveis em diversos setores da sociedade. São momentos não planejados, mas, estes atordoados e angustiantes assuntos se transformam muitas vezes em verdadeiras obras de arte, que não deixa de ser assunto antro-poético, através de pessoas sensíveis e com a capacidade de profunda admiração, até mesmo com os mínimos detalhes. Dessa forma, é dever da escola ensinar a pensar, refletir e admirar, como diz Jostein Gaarder em “O Mundo de Sofia” para sermos bons filósofos é necessário aprender admirar. E a admiração é uma arte porque filosofar também se faz com a arte poética.
Poética e estética são grandes momentos da arte no ponto de vista filosófico, inaugurados por Platão e Aristóteles. A arte poética, obra de Aristóteles, assim foi denominada de poética, a arte da fala e da escrita, do canto e da dança, a poesia e o teatro e designada posteriormente por estética após o século XVIII. (CHAUÍ, p321)
        
            Filosofar é pensar, refletir, criar, a criação é ativa e pode solucionar um conflito interior, a qual resulta num clímax de natureza emocional. A criação artística é uma forma de expressar o sentimento, este constrói a arte filosófica e arte de prosear pode destruir o sentimento. Então, filosofar é prosear sobre diversos assuntos, inclusive as emoções.
            Nas escolas o cuidado com as emoções, com a reflexão sobre as emoções, falar sobre elas e as consequências de determinadas condutas para outras pessoas, isso tem que ser bastante promovido, parece ser uma medida urgente para minimizar a violência. E os professores não sabem tudo, até a criança pode saber colocar perguntas boas e geniais, pode inclusive descobrir novos fatos.
            A Filosofia é um modo de pensar e exprimir pensamentos. (CHAUÍ, 1995 p.25). Portanto, a prosa e a linguagem fazem parte deste contexto em que a autora de, “A Sandália que não era de cristal, exprime seus pensamentos, sentimentos e valores, com funções conotativas, indicativas ou denotativas. Assim como, a ilustração e o texto que representa aquele momento empírico e filosófico.
A Sandália que não era de cristal
                                          Silvana Soares de Almeida Silva
            Vinda de uma família muito humilde, onde o pai era pedreiro e a mãe lavadeira, não tive regalias e nem brinquedos. Minhas bonecas eram de bucha novinha que eu colhia no mato, aquela que se usa para tomar banho ou às vezes com sabugo de milho e caroço de manga dava para fazer o olho e boca com caneta preta, latas viravam panelas onde a terra e as folhas faziam parte das brincadeiras.
Gostava muito de brincar, mas quando saía tinha muita vergonha das roupas que minha mãe comprava nos bazares da igreja. Quando fiquei maior, ganhei uma sandália de amarrar na perna, era da moda, mas não era o meu número, estava conservada quase não tinha sido usada, fiquei muito feliz, achei linda e pensei, agora poderia ir à igreja com minhas colegas durante a noite.
Ingênua ideia! Tive que programar um passeio. Fui para casa, me arrumei toda, achei que tinha ficado linda, e o melhor na moda. Quando cheguei perto de minhas colegas, a decepção veio como um relâmpago. Muitas gargalhadas surgiram e logo vieram as perguntas:
_ Nossa! Você pegou a sandália da sua mãe?
_ Ficou horrível!
_ Você não tem outro sapato? Olha só, o meu é novo e ganhei de  aniversário.
As perguntas me mostraram aquilo que a simplicidade às vezes não enxerga. Fiquei morrendo de vergonha, achava a sandália linda, mas, o tamanho realmente não era o meu, ficava um bico enorme na frente, e se eu empurrasse o pé ficava grande atrás.
           Voltei para casa chorando e me enfiei debaixo da cama, não queria que minha mãe soubesse, pois trabalhava muito para nos dar o pouco que podia. Continuei usando a sandália evitando que minha mãe soubesse da história e todas as vezes que eu as usava me lembrava das palavras que havia ouvido, e até hoje me lembro como se fosse ontem.
Filosofia para adolescentes, metodologia de concepção construtivista.
A Sandália que não era de cristal é fruto de uma metodologia utilizada pela professora Maria Helena Campos Pereira nas aulas de Filosofia para crianças e adolescentes, na qual ela solicitou que as alunas fizessem um desenho da História que marcou a sua infância e após o desenho ela as motivou a filosofar a respeito do desenho. Foi assim que a aluna Silvana conseguiu expor seu conhecimento, que na verdade estava embutido na em sua teia psicopedagógica. Assim, pode-se dizer que esta arte foi construída a partir de seu sentimento da infância, e este pode ser destruído por se tratar de uma nova visão do conhecimento histórico- cultural e filosófico.
No início do trabalho houve resistência em desenhar e escrever esta filosofia, no entanto, logo após ter conseguido arquitetar “A sandália que não era de cristal”, o interesse  da aluna foi surgindo e o texto foi melhorando aos poucos com a ajuda da professora que orientou quanto aos aspectos linguísticos e estéticos.
Portanto, entende-se que filosofar é prosear! É refletir sobre a vida, conhecer a si mesmo, buscar ações conscientes para convívio em sociedade. É a distinção do verdadeiro e do falso, é o ser humano questionador, porém autêntico e a construção de novos conhecimentos que poderão servir de reflexão para a harmonia do mundo, pois as lembranças de infância, mesmo que alegres ou tristes, quando bem orientadas podem ser aceitas e servirão de suporte para o crescimento pessoal e quem sabe da humanidade.
            No sentido psicopedagógico, pode-se dizer que o sentimento constrói a arte e a arte destrói o sentimento porque a vida é uma arte constante, com máscaras que se inserem nas cênicas e nas plásticas, com as diversas notas, inclusive as musicais que dão sentido à vida. Mas, como se pode perceber em algumas obras de arte tal qual “A última música”.
A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas, a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. (A última Música)
            A música da vida está presente em todos os momentos, mesmo com teclas entrelaçadas e multicores, somos os instrumentos que fazem parte da musicalidade em que vivemos. Pianos, teclados, pandeiros, chocalhos, violão…, todos compõem a harmonia instrumental que dão cor à vida. Assim, deveria ser o mundo, com pessoas que pensam e reflitam as suas ações, antes de cometer qualquer equívoco impensado. Somos na maioria fruto do amor e da união, quisera ser então, a semente da humildade, da solidariedade e do amor ao próximo, mesmo que a sandália não seja de cristal.
Discussão e ideias conclusivas
A estética e poética da vida pode ser percebida desde Aristóteles, um homem extremamente meticuloso que queria organizar os conceitos dos homens e por ordem no mundo. Assim, pode-se perceber que as colegas de Silvana não possuíam orientações adequadas aos conceitos éticos porque zombavam da menina que usava a sandália que não era de cristal, mas era o único calçado que ela possuía para aquele momento.
A inocência implícita na infância torna a situação vivenciada pela autora uma história emocionante, pois a mesma soube lidar com a situação maturidade e sabedoria. Ela se preocupou com o sentimento, a decepção, que causaria na mãe caso se desfizesse das sandálias. E apesar de ter sido de certa forma humilhada pelas colegas, seu desejo de obter aquele objeto não a fez desistir. Ela não se influenciou pelas opiniões alheias.
As recordações de infância desta aluna tem sido no bom sentido, como se fosse um ganho de causa, não como um problema em sua vida. Neste contexto e no sentido psicopedagógico, pode-se dizer que o sentimento constrói a arte e a arte destrói o sentimento, pois ela conseguiu lutar com seus pensamentos, suas angústias e os transformou em fragmentos textuais que poderão servir de reflexões psíquicas e pedagógicas à muitos pais e educadores que primam pela qualidade de vida no planeta terra.
Referência bibliográfica
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1995.
GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia: Romance da história da filosofia. São Paulo: Cia das Letras, 1995 


[1] CAMPOS  P. Maria Helena. Arte, filosofia e poética da infância. Governador Valadares: UNIPAC, 2011(Professora de Filosofia para crianças e adolescentes da Universidade Presidente Antonio Carlos).
[2] SILVA, Silvana Soares de Almeida. A sandália que não era de cristal. Governador Valadares: UNIPAC, 2011. (Acadêmica do curso de Pedagogia da Presidente Antonio Carlos).

Homem não chora

Homem não chora
Dizem que homem não chora
Afinal, chorar é demonstrar firmeza
Mas, a verdade é que tem hora,
Que a alma no profundo implora,
Tirando do rosto a beleza.
Lembro-me quando na infância,
Fui visitar um asilo,
E mesmo sem dar importância,
Não pude me esquecer daquilo:
Os anjinhos abandonados,
À própria sorte jogados
Vidas sem nenhum valor,
Infelizes reféns do desamor.
Descobri então naquele dia,
Envolvido na emoção da hora
Que mesmo o homem, todavia,
Se for humano chora!


 SILVEIRA, Paulo Sérgio  Alves  da. Homem não chora. Governador Valadares: UNIPACGV, 6º Pedagogia, produção construída na aula de Filosofia para crianças e adolescentes, a partir do exercício: Uma história que marcou a minha vida, sob a coordenação da professora Maria Helena Campos Pereira. 11/06/2012.  http://www.blogger.com  / HTTP://mhcampos.blogspot.com

FINA FLOR EM VÉU ROSA MAR[1]
As pétalas desta flor
Que caem do arranha-céu
São como fagulhas de amor
Que cobrem o chão é um véu
O canto do sabiá e o
Vôo do beija-flor
Faz-me feliz recordar
A vida, o cuidado, o amar
Dona Judith era assim
Esbelta, formosa, fina flor!
E ela está viva entre nós,
porque o ambiente inda é seu.
O choque do jambolão
São botões, folhas, pétalas e flores
Que estampam de beleza sem par
O quintal que viveu e cuidou
Da estética e do chão rosa-mar
Folhas secas, amarelas no chão
Misturam com o rosa-mar
Cobrem a vida, o térreo-chão
Que juntas ao verde e rosa
Espalham a beleza no ar
Com o beijo na flor, abelhas a revoar
Borboletas saltitantes e o canto do sabiá. 
Hoje ela inda está presente
No tapete de véu rosa mar. 


[1] Escrito em 05/06/2007, no Dia Mundial do Meio Ambiente, quando a autora após uma manhã de plantio no Bairro Santa Rita, com suas alunas de Pós Graduação em Gestão Educacional da Unipac, voltou para casa e apreciava a beleza do chão de seu quintal, coberto pelas fagulhas pétalas cor de rosa, da flor do pé de jambolão, que foi plantado pela sua cuidadosa e ambientalista Tia Judith Campos.