AUTOCINESIA

Nesse mundo de problemas
Vivo sempre em um dilema
Será vida ou será morte
Prefiro contar com a sorte.

Pessoas invejam atoa
E vivem de ego que entoa
Sabe lá o que querem da vida
Só sei que meu dia é de lida

Entrelaçado com poesia
Vivo em autocinesia
Mas, importante é respirar
E o mundo glorificar!

Não sei se é anestesia
Mas envolve analgesia
Parece ser amnésia
Que rima com a poesia

A metáfora é euforia
De um ser filosofia
Que vive sempre a imaginar
Poder o mundo humanizar.
______________
CAMPOS, P. Maria Helena. Autocinesia. Itabirinha: Academia Capixaba de Letras e Poetas Trovadores, Cadeira, 16, 2018.

BEATRIZ, DIVINA CRIAÇÃO!

            BEATRIZ, DIVINA CRIAÇÃO![1]

Seu nome tem significância “a que traz felicidade”,

es aquela que ao nascer fez  outras pessoas felizes

não és uma simples  “viajante”, nem “peregrina” hás de ser,

mas, na terra dos amigos és um grande bem querer!

 

Bondosa, delicada e altiva,

com seu olhar muito esperto, bola feita de cristal,

nem parece ser normal, mas é coisa divinal!

 

Es uma menina formosa e travessa,

poderosa e de sorte forte,  anda depressa

e traz em seu interior a marca da promessa,

 

A todos por onde passa encanta com sua beleza,

Seu jeito de caminhar faz o povo se admirar

De sorriso encantador e a leveza da borboleta.

 

Tudo em ti é maravilha, coisa linda “de vovó”,

do papai e da mamãe é puro, puro xodó!

Um encanto de criança que a família pode ter

No seu ser, tudo é lindo, pois é fruto de viver.

 

Ria tudo com a titia, que não cansa de observar

Faz tudo por esta gatinha, troca fralda e dá chuquinha.

 

Isto tudo é poesia, que fala de amor especial,

a Bia é toda imponente, nem parece ser da gente,

esguia tal qual mamãe, forte igual ao papai, que Deus

a conserve assim, com Sua imensa Grandeza

 

Zeus, nem Júpiter pode ser porque sou pequenininha,

Mas, de infinita nobreza, aos olhos do Pai sou maior.

que toda tempestade do mundo, do relâmpago e

do trovão, sou divina criação que veio do coração.

 

Do latim ‘beatus” feliz, a brilhar na escuridão,

sou do amor e emoção, céus de luz,

divina flor, toda cheia de esplendor. E viva Beatriz!

 

[1] Maria Helena Campos Pereira. Beatriz, divina criação. Poema em homenagem ao primeiro aniversário de sua sobrinha. Governador Valadares: www.filoarte.com.br,  10/06/2017

AMOR INCONDICIONAL

 

AMOR INCONDICIONAL E ÉTICA AO AMAR [1] 

                            —@—

Todos somos iguais, mesmo na diferença,

ninguém é melhor que ninguém, devemos

tratar a todos com igualdade e respeito.

Esse respeito leva duas pessoas que se amam

                            —@—

ter cumplicidade entre uma e outra, pode

demonstrar carinho e afeto de forma especial.

É necessário que haja amor e ética, pois são,

fundamentais na vida dos seres humanos.

                             —@—

O amor entre e duas pessoas deve ser sincero,

é importante a confiança verdadeira, um com o outro,

para seguir a história da vida, com ética e confiança.

                            —@—

Os dois rios é como o amor entre as pessoas

passam por turbulência, e a cada turbulência do eu,

eles crescem dia a dia, mas é preciso estar atento

à voz do coração, pois “meu lugar é ao lado seu”.

                          —@—

Sua trajetória está no chão, sem forças para caminhar,

ele está sem direção, diante de uma escuridão.

Dois rios fala, de um amor sem tamanho

comparando à natureza, ao tamanho e à beleza.

                           —@—

Duas vidas se completam, pois ninguém consegue viver

completamente só, a duplicidade na vida é concreta.

Se tem noite, existe o dia, tem o sol, também a lua,

ao completar Deus tudo fez, o homem, também a mulher…

                          —@—

Dois rios na vida existem, dois lados, do bem querer,

se unir para o bem, e os lados que não se conhecem,

existem para serem abraçados, para um conhecer

o outro, mas respeitando suas diferenças.

                           —@—


[1] CAMPOS, Mª Helena Pereira (org.). Aderalda, Aline, Camyla Fernandes, Leidivane,  Letícia,   Mª Aparecida, Solimar. Acadêmicas do 6º período de Pedagogia: Governador Valadares: Unipac, 2017

FILOSOFIA

A Filosofia é contestável controversa

É aprender a conviver

É pensar, questionar, refletir sobre a vida

E refletir sobre si mesmo.

É uma viagem, uma aventura mental!

—-X—-

Uma experiência, uma viagem que te faz pensar,

É refletir o ontem, o hoje, o agora e o amanhã.

É  o brilho no olhar ao perguntar

É querer respostas e procurar entender o que não se entende,

—X —-

Filosofia é tudo e mais um pouco

É falar, perguntar, opinar

É um ponto de interrogação gigante,

Que um dia talvez  quem sabe

Podemos conseguir decifrar.

São concepções e ideias de muitos a filosofar.

___________

¹ Elizângela Augusto F. Peixoto & Oziane da Silva Neves. Filosofia. Acadêmicas do Curso de Pedagogia do INEL – Instituto Educacional Logus LTDA. Itabirinha, 2017.
² Maria Helena Campos Pereira é mestre e doutoranda em Ciências da Educação, professora de Fundamentos Filosóficos da Educação. Itabirinha: INEL, 2017.

 

 

CORRUPÇÃO: DESESTRUTURA FAMILIAR E VIOLÊNCIA BRANCA

 CORRUPÇÃO: DESESTRUTURA FAMILIAR E VIOLÊNCIA BRANCA

                                                                 Maria Helena Campos Pereira[1]

                Entre a massa dos sequestradores, o critério se inverteu, qualquer cidadão que não tenha sinais exteriores de pobreza torna-se um alvo potencial. (BALLONE, 2002)                                         Nos dias atuais, observa-se a partir de noticiários em meios de comunicação que, os sequestradores já não importam muito com as pessoas de classe alta, a cada dia cresce o número de vandalismo e os processos brutais contra seres humanos, acredita-se na possibilidade de ser devido à necessidade de sobreviver, a carência por uma família estruturada ou pela desigualdade social, levando-os a bárbaros sequestros, como meio de sobrevivência ou por visualizarem uma vida com mais conforto.                                                                        De acordo com Ballone (2002), “o sequestro, ao lado da perda de um filho é o pior trauma que se pode sofrer”. Percebe-se através desse comentário que o sequestro é muito doloroso e dramático e pode ser comparado à perda de íntimos familiares.                                           A necessidade de sobrevivência pode instigar para que a violência cresça assustadoramente, e um dos motivos por esse constante aumento, são os sequestros, que assombram toda a população brasileira. O sequestrado leva para o resto da vida o trauma de estar preso em algum lugar, sofrendo torturas e ameaças. E esse trauma o leva a ter medo de tudo e de todos, envolve toda família que também passa a ter os mesmos medos e traumas. Os sequestradores não importam se é pobre ou rico, eles precisam ou querem o dinheiro e correm atrás da próxima vitima.                                                                                                                                 Com isso, as comunidades vivem com famílias estilhaçadas, onde os pais, sobrevivente das tragédias, suplicam por paz para que possam cuidar dos filhos.                                                         E, aquelas famílias traumatizadas, passam a implorar pela paz e segurança, daí a população começa a se conscientizar, a respeito da educação dos filhos, como pessoas dignas, respeitando o próximo, como também estar a cada dia, mais unida com a sociedade na colaboração com planos para combater esse tipo de crime, que muitas vezes pode destruir famílias inteiras. A erradicação dessas ações bárbaras e da violência assustadora é fundamental, porque nenhuma pessoa, independente da classe social está vivendo em paz, mas, acredita-se ainda, na possibilidade de um futuro, onde os filhos possam viver e conviver com segurança.                                                                                                                                                             Em casos de agressões familiares, nas entrevistas com pessoas do grupo de ansiedade e stress, numa das instituições educativas pesquisadas, notou-se que em alguns momentos pode haver um silêncio da vitima. Ela esconde sua dor, seu sofrimento, até a decisão de romper com a violência ou até mesmo morrer nas mãos do agressor. Entretanto, quando uma pessoa vem sofrendo constantemente com a violência, esta, nunca se sabe o que fazer e nem a quem recorrer, porque é mais fraca e submissa ao seu agressor, e também, ao saber de denúncias, ele pode repetir o ato, tomando decisões ainda mais trágicas e até tirar a vida do agredido.                    O mundo vive um grande desespero por causa desses problemas que se alastram a cada dia. Com esta desumanidade, já não se tem segurança da própria vida, por causa de certos indivíduos que não valorizam sua existência e a trocam-na por tão pouco.                                                  Índices de pesquisas da Folha de São Paulo e Rio mostram que acidentes matam muitas pessoas a cada momento como o caso do jovem Gustavo na madrugada do dia 13/03/2002 e muitos outros que é impossível nomear em tempos atuais. Entende-se que a velocidade, a imaturidade e o álcool são grandes causadores da violência de trânsito, acredita-se na falta de conhecimento das leis, na imprudência ao dirigir, na correria diária para o trabalho, no cansaço físico, no sono e outros, assim, o ser humano abusa ao ultrapassar os sinais e desrespeita as placas de sinalização, não valorizam a vida, e faz da direção um caminho fatal. Pesquisas nos informam que a cada minuto morre uma pessoa no trânsito, isto devido a bebida alcoólica que provoca o descontrole emocional e pode causar a morte. (Cidade Alerta)                                                  Tomar conhecimento destes fatos e procurar orientar os jovens sobre esta gravíssima causa é de suma importância, assim como, orientar a comunidade sobre a participação em projetos de conscientização que possam promover ações para minimizar o problema.                             Adicionando a isso, a violência branca, em que não se derrama sangue, também pode ser igualmente terrível, na forma de doenças da sociedade, aliada à fome, à miséria, ao descaso. Então, pergunta-se, o que o cidadão comum pode fazer para diminuir o próprio sofrimento e o de seus semelhantes?                                                                                                                                             Heleieth Saffioti (1997), relata em seu texto que o cidadão vive hoje em uma sociedade sem expectativa, com medo, procurando solução para os problemas da igualdade social. Ela enfatiza o acordar para a realidade, abandonar o descaso, e com o olhar crítico, ver a fome e a miséria que violentamente fere a grande massa popular e as ações caracterizadas como manifestações de violência, as quais abarcam frequentemente uma gama de comportamento.              A violência “branca” ultrapassa o limite da agressão física, ao admitir uma violência de caráter psicológico e moral, até mesmo o tráfico de drogas, de órgãos para transplante, de crianças e a famosa lavagem do dinheiro público podem estar inseridos nesse tipo de violência. Poucos se preocupam, no entanto, este tipo de violência, é mais sutil, ela não é percebida por todos, ou apenas resulte de “uma coisa natural”, não intencional.                                                                  Embora todos falem de paz, os homens vivem se armando. Há violência em todas as cidades, não importa se é metrópole ou não. Não se sabe o que fazer para acabar com esse mau que tem sido preocupação de muitos. A falta de diálogo, as restrições, a ambição incontrolável e a incrível sede de domínio econômico e político podem estar contribuindo para um caminho aparentemente sem retorno.                                                                                                       Será que os projetos políticos pedagógicos fundamentados na multi, pluri, trans e interdisciplinaridade, não poderão contribuir com o desenvolvimento de comunidades mais disciplinadas e harmônicas?                                                                                                                                     Acredita-se que a partir de planejamentos cooperativos, onde o acolher e  regatar valores possam ser os melhores caminhos para se evitar brigas, ameaças e depredações, pois educação se faz com o compromisso e a união de todos. A união pode minimizar competições e promover mudanças no meio em que se vive, porque a vida corre risco a todo o momento.                 Pergunta-se então: O que os homens entendem de paz? A droga e a prostituição são as causadoras da violência? Qual é a paz que eles procuram? Dizem que a paz é como chama, embora silenciosa é ativa e apressa principalmente quando o silencio é cruel. Ela insiste fundamentalmente, quando precisa mudar certos fatos, a paz não significa não fazer nada contra, mas, fazer tudo para o bem de todos.                                                                                                   Lutar contra a corrupção, a favor da justiça, do amor, da democracia e do plano cooperativo pode constituir um dos melhores caminhos para se resolver os males que afetam a humanidade.

Referência

  VALLADARES, Ricardo. O Brasil ensanguentado. Revista Veja. Mês/Janeiro. nº 04. Ed. Abril. P. 90. São Paulo,  2002                                                                                                                             BALLONE. Geraldo. Professor da PUC da Campinas, São Paulo. Revista Veja. Ed. Abril, 2002. P. 41  nº 06.                                                                                                                                                             PEREIRA, Paula e outros. Códigos fora da lei. Rio de Janeiro – Ed. Globo, 2001 – ano lll, P. 77, nº 155.                                                                                                                                                       GOMES, Marlene Baltazar da Nóbrega. Violência intra familiar. EM. Revista Visão Missionária. P. 25, nº 2 – 2º TRI 2002.                                                                                                                             Revista Isto É, nº 1093, ano 2002.                                                                                               SAFFIOTI, Heleieth. Violência em debate. Ed. 1ª. São Paulo. Moderna, 1997 –   P. 20.                 PELLEGRINI, Denise. Revista Nova Escola. Mês/ maio. P. 16, ano: 2002.

1] CAMPOS,  P. Maria Helena. Corrupção: desestrutura familiar e violência branca. Este texto é uma produção coletiva com acadêmicos do Curso de Pedagogia da Faculdade de Mantena- FAMA, num exercício de trabalho participativo com temas de interesse e contextual. Mantena, Minas Gerais: FAMA, 2003/2016.

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THALITA, DIVINA VIDA: Thalita, laço de fita

THALITA, DIVINA VIDA: Thalita, laço de fita¹

Thalita, levita bonita

  hoje estás cheia de vida

  muito esperta e definida

  tú es forte e decidida

 

A flor que veio do infinito

  ninguém sabe, ninguém viu 

  mas, seu caminhar é fiel

  és divina flor do céu,

 

Laço de fita, vida de amor

  não surgiu de um carrossel

  nem se lambuzou de mel

  és fruto de muito clamor

 

Inquieta desde o útero

  com seis meses já pulou,

  até a medicina duvidou

  mas, fervorosos lhe chamou

 

Tu és a mais resistente

  no leito de um hospital,

  joelhos se dobrou, muitos

  por ti orou, outros até chorou

 

Amor nunca lhe faltou

  hoje, és criança imponente

  nem parece coração de ventre

  vieste pra ficar e vidas há de transformar.

 

[1] CAMPOS Pereira, Maria Helena. Thalita, divina vida: Thalita, laço de fita. O poema conta a História de Vida de Thalita, em homenagem ao seu 1º (primeiro) aniversário, uma vida que só pode ser milagre do infinito e poderoso Pai Celestial. Dedica-se também o poema a todas as Thalitas do mundo, que podem ser frutos da dor e do amor, mas de um belo interior.

MANUELA, UMA FLOR BELA

MANUELA, UMA FLOR BELA[1]

Muita luz, muita cor e muito amor!

Amor incondicional, Manuela, não és,

Nem cravo e nem canela, mas

Um deslumbre que perfuma a alma

E que aquece e acalma os corações ao seu redor

Lâmpada que reluz, ilumina e brilha no âmago daqueles que conseguem perceber,

A subjetividade e o afeto que na sua inocência, transcende a todos que estão à sua orla, em                seu círculo de vida.

És e sempre serás, a mais bela das Manuelas.

            Seu nome carrega a divindade do Ser maior, vem de Emanuel, que significa Deus Conosco. Fruto das bênçãos do Altíssimo. Tu és paz, harmonia, equilíbrio, leveza, beleza e de uma serenidade que poucos são aqueles que conseguem enxergar a poética e a estética, que estão dentro de seu SER.

           Ao seu entorno, estão Gonçalves, Pereira e “Campos” floridos que conseguem te amparar, proteger e regar, para que a relva se torne mais produtiva e as flores com um perfume tão profundo, que só o amor pode exalar.

                  E viva Manuela, uma flor das mais belas!

 

 

[1] CAMPOS, Pereira. Maria Helena.  Manuela, uma flor bela. Acróstico poético elaborado para sua neta, em homenagem à comemoração de seu 1º (primeiro) aniversário. Dedica-se também este texto, a todas as Manuelas do mundo, que conseguem entender e perceber a importância da beleza interior. Itabirinha, 05 de setembro de 2016.

POÉTICA E ‘ÉTICA RACIONAL’

                                         POÉTICA E ‘ÉTICA RACIONAL’

                                                                                O menino queria um burrinho para passear, um burrinho manso,                                               que não corra nem pule, mas que saiba conversar[1].

            Ao abordar sobre ética racional, nos faz refletir a respeito do poema, o menino azul, quando Cecília Meireles relata que o menino queria um burrinho manso e que soubesse conversar, nesta sua metáfora, ela parece referir justamente, a um ser irracional, o burrinho, mas com atitudes racionais, porque saber conversar e ser suave, é significativo para um ser humano que realmente precisa ser racional. O não correr  e nem pular, também pode significar a correria da vida e o ultrapassar os limites dos outros para alcançar a qualquer custo os objetivos individuais, porém, sem preocupar com as consequências do próximo, que nos parece uma ação antiética.

            Assim, a ética kantiana está centrada na noção de dever. Parte das ideias da vontade e do dever, conclui então pela liberdade do homem, cujo conceito não pode ser definido cientificamente, mas que tem de ser postulado sempre, sob pena de o homem se rebaixar a um simples ser da natureza. Kant também reflete, é claro, sobre a felicidade e sobre a virtude, mas sempre em função do conceito de dever. É famosa, na obra de Kant, sua formulação do chamado “imperativo categórico”, nas palavras: “Age de tal modo que a máxima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princípio de uma legislação universal”. Kant reconhece que esta é apenas uma fórmula, porém ele, que gostava tanto das ciências e que não tinha a intenção de criar uma nova moral, estava apenas preocupado em fornecer-nos uma forma segura de agir. Sua ética é, pois, formal, alguns até dirão formalista.

            O pensador alemão, com seu imperativo categórico, forneceu, na prática, um critério para o agir moral, que diz, se queres agir moralmente, isto é, para Kant, racionalmente, o que aliás tu tens de fazer, age então; de uma maneira realmente universalizável. Aqui está o segredo da ética kantiana: A universalização das nossas máximas, em si subjetivas, é o critério. A moral kantiana, de certo modo, também pressupõe um conceito de homem, como um ser racional que não é simplesmente racional. Portanto, um ser livre, mas ao mesmo tempo atrapalhado por inclinações sensíveis, que ocasionam que o agir bem se apresente a ele como uma obrigação, como uma certa coação, que a sua parte racional terá de exercer sobre sua parte sensível. O dever obriga, força-nos a fazer o que talvez não quiséssemos ou que pelo menos não nos agradaria, porque o homem não é perfeito, e sim dual. Mas o dever, quando nos força, obriga a fazer aquilo que favorece a liberdade do homem, porque o homem é um ser autônomo, isto é, sua liberdade, no sentido positivo, consiste em poder realizar o que ele vê que é o melhor, o mais racional. Poder realizar significa: causar por vontade própria um efeito no mundo, ao lado das causas naturais que pertencem, como diz Kant, à maneira newtoniana, ao mecanismo da natureza.

            O homem, neste sentido, é legislador e membro de uma sociedade ética: é legislador porque é ele que vê o que deve ser feito, e é membro ou súdito porque obedece aos deveres que a sua própria razão lhe formula. Neste sentido, ele não tem um preço, mas uma dignidade, e é por isso, que a segunda fórmula do imperativo categórico diz para agirmos de modo a não tratar jamais a humanidade, em nós ou nos outros, tão somente como um meio, mas pelo menos  como um fim em si. Então, isso poderia chamar de uma ética do respeito à pessoa.

            Neste caso, por que não dizer também o respeito ao meio ambiente? Ou seja, o local onde vivem as pessoas, os bichos, as coisas. Dessa forma, podemos retomar o fragmento poético de Meireles que diz: o menino quer um burrinho que saiba inventar histórias bonitas, com pessoas e bichos, que saiba dizer o nome dos rios, das flores, e de tudo que aparecer.

            Portanto, a ética racional, que enfatizamos, também com as teorias kantiana, refere-se a este ambiente, onde existem seres humanos que são altruístas, equilibrados, que primam por um conhecimento integrado, global e humanista. Que mesmo em meio a tempestades, sempre há um lugar para a subjetividade e a poética, como forma de se trabalhar e vivenciar a ética e prática educativa.

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* Prof. Dr. Alvaro L. M. Valls.Dep. Filosofia – UFRGS.                                                                                  ** Adaptado por CAMPOS  P., Mª Helena. Ética e prática educativa. Governador Valadares: UNIPACGV, 2016                                                                                                                                            [1] MEIRELES, Cecília. O Menino Azul. Poema infanto juvenil.

Ética e diversidade cultural na sala de aula.

A DIVERSIDADE CULTURAL BRASILEIRA EM SALA DE AULA[1]

        A cultura de um povo é formada por vários elementos, como crenças, ideias, mitos, valores, danças, festas populares, alimentação, modo de se vestir, entre outros fatores. É uma característica muito importante de uma comunidade, pois a cultura é transmitida de geração em geração e demonstra aspectos locais de uma população.

     O Brasil, por conter uma grande dimensão territorial e uma população numerosa e miscigenada, com grande quantidade de descendentes de europeus, africanos, asiáticos e índios, apresenta uma vasta diversidade cultural no seu povo.

        Esse é um tema de extrema importância e deve ser abordado em sala de aula, pois os alunos devem ter conhecimento da diversidade cultural do país e saberem a origem de festas folclóricas, culinária, crenças e todos os tipos de manifestações culturais, fortalecendo ainda mais o processo de valorização dos costumes locais, contrapondo a tentativa de unificação de uma cultura de massa imposta pelos meios de comunicação.

    Ao abordar a pluralidade cultural do Brasil, o professor deve promover no aluno o sentimento de valorização cultural do país, além do reconhecimento e respeito das diferentes culturas, e mostrar que não existe uma melhor ou mais desenvolvida que a outra.

       Deve-se esclarecer o conceito de cultura e citar os principais elementos que configuram a cultura de um determinado local. Questione os alunos sobre os aspectos culturais do Brasil e os principais povos responsáveis pela disseminação cultural.

       Feito isso, divida a turma em cinco grupos, sendo cada um responsável por uma Região do Brasil (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste, Sul), onde aspectos culturais de cada Região deverão ser pesquisados. Os alunos poderão realizar estudos sobre a culinária típica, danças, festas populares, manifestações religiosas, de forma que o potencial de cada grupo seja explorado ao máximo.

     Posteriormente, promova apresentações dos grupos, abordando as principais manifestações culturais e os povos responsáveis pela propagação cultural de cada região pesquisada. Se possível apresente vídeos das atividades realizadas.

    Após as apresentações reúna os trabalhos de cada grupo e monte uma revista, de forma que os alunos tenham material sobre a cultura brasileira, e o que é mais importante, produzido por eles mesmos.

  A professora sugere também que pode-se produzir cartazes e ou livrinhos para que o conhecimento possa ser arquivado e socializado. Além disso, a possibilidade de realização de um seminário, ou teatros ou exposições com base no interesse de cada grupo. De acordo com Édouard Claparède, “Uma criança não é uma criança para ser pequena, mas para tornar-se adulta”  e “Toda conduta é ditada por um interesse; toda ação consiste em atingir o objetivo que é mais urgente naquele momento determinado”

     Portanto, ao realizar as tarefas em sala de aula com os alunos é de fundamental importância que se busque um acordo entre os aprendizes e seus interesses em pesquisar e discorrer sobre os assuntos correlatos à temática em foco, e ainda para que possam estar mais motivados, porque foram ouvidos pelos coordenadores do processo.

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[1] Por Wagner de Cerqueira e Francisco, Graduado em Geografia. Com adaptações de CAMPOS, Mª Helena C. P. Prof. de Ética e pratica educativa. Tema: Ética e diversidade cultural na sala de aula  para a educação  básica. Gov. Valadares: UNIPAC GV, 2016

LUANDA

LUANDA[1]

A lua anda, anda, anda sem querer e sem parar

Luanda toda imponente se atreve viver no mar,

Barco estimado que inspira a história de vida,

Dia e noite, noite e dia, pelas rotas a pescar.

 

Linda menina de olhos e cabelos castanhos

Que a tão pouco tempo se encontrava no lar

Hoje ela retrata seu nascimento com a linda

Emocionante e exuberante história do mar.

 

Pescadores vão e vem, anda, anda no além

Luanda balança pra lá e pra cá, maré alta,

Maré baixa, a lua anda e Luanda também.

 

Luanda barco imponente! Luanda menina, linda!

Um nome em comum, Luanda anda na terra,

Luanda anda no mar, corta ondas e as empina,

Mas seu trajeto ela não emperra, desterra.

 

Vai em busca da vida, vida que vive no oceano,

Grandes, pequenos e minúsculos peixes a bailar,

Luanda vive no mar, Luanda vive no lar!

 

Inspirada por Deus, seus pais podem entender

e conviver, com inteligência, beleza e alegria,

Luanda fala, Luanda estuda as belezas do mar.

Luanda é menina! Luanda é vida! Luanda é poesia!

 

A lua brilha, a vida anda e viva Luanda!!!

 

[1]CAMPOS Pereira, Mª Helena. Luanda. Poema inspirado na vida de uma menina que surge inesperadamente na mesa desta professora na aula de Ética e prática educativa, com os questionamentos próprios da idade dela e conta a história de seu nome que estava escrito no barco e seu pai gostou. Governador Valadares: Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPACGV, 2016.