Arquivo mensais:junho 2013

DEMOCRACIA, AINDA QUE TARDIA

DEMOCRACIA, AINDA QUE TARDIA
Maria Helena Campos Pereira
Dizem que a melhor maneira de prever o futuro é inventá-lo. O Brasil está assim, os brasileiros reinventam dias melhores para a nação. E, é interessante reviver os momentos em que a espécie humana luta pelos seus direitos.
Em 1983, as escolas mineiras se mobilizaram, foi o primeiro Congresso Mineiro de Educação em que houve a participação de todas as escolas públicas, uma verdadeira ação de base com diagnóstico das necessidades. Antes deste movimento, a disparidade na educação era enorme, o material didático era inadequado, poucos conseguiam uma merenda de qualidade E os diretores eram indicados pelo governo estatal, verdadeiro cabide de emprego e bode expiatório dos políticos, não havia inclusão porque as crianças especiais, ou iriam para uma sala rotulada de especial, ou continuavam em casa sem nenhum trabalho educativo, e os contratos de profissionais da educação eram de acordo com os interesses dos gestores, apadrinhamento era uma realidade, a repetência enorme, mas o interessante era reprovar para que os alunos pudessem permanecer na escola, aumentar o índice de matrícula e automaticamente, o nível financeiro da direção. Com esse congresso, muitos problemas se tornaram transparentes perante a sociedade, e daí, outros movimentos maiores foram surgindo, até se chegar ao grande evento que deu origem à democracia.
Hoje, o Estado se diz “Democrático”, mas o que é democracia de fato? De acordo com Morin (2000), o estado democrático de fato interfere na máquina estatal e provoca mudanças necessárias que é importante para a sociedade, “e as democracias do século XXI serão cada vez mais confrontadas ao gigantesco problema decorrente do desenvolvimento da enorme máquina em que ciência, técnica e burocracia estão intimamente associadas”.
Neste aspecto, pode-se entender que, o processo político em que se vive, e pelo qual o Brasil acordou, pode ser uma revolta, com a regressão da democracia, onde os cidadãos brasileiros se situam à margem das grandes decisões políticas dos astutos tecnocratas, com discursos que se diz democrata.
Neste contexto, diz a presidente, “vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos.”(ROUSSEFF, 2013) A nova energia política e o novo pacto, citado pela chefe de estado pode ser um novo acordo da minoria com fragmentações de políticos que jogam com seus interesses. 
Na verdade, a presidenta ao expressar, as principais cidades, não foi muito feliz porque houve um menosprezo das cidades menores, será que não se pode dizer da existência aí de uma discriminação? E quem sabe as melhores propostas surgem dos menores centros urbanos? Dizem que, os melhores perfumes podem estar nos menores frascos, e qualidade é um processo no qual todas as pessoas, de todos os setores e níveis hierárquicos contribuem para a melhoria dos processos, então é compromisso de todos, sem discriminação, sem atrofiar competências, degradar o civismo e comprometer a democracia.
A metodologia para que isso aconteça, pode ser planejada estrategicamente, é só aplicar a técnica de solução de problemas, interligada ao planejamento estratégico e a pesquisa-ação, caso contrário, entende-se que a política fragmentada, tal como tem acontecido, pode perder a compreensão da vida. Mas, na verdade, prioritariamente, nem precisa de um plano estratégico a princípio, porque todos que estão na rua solicitam melhoria no transporte público, na saúde, educação e segurança. E em contrapartida, o povo reivindica a equiparação dos gastos da copa com suas reivindicações, isto é questão de eficácia.
Até que atualmente, a seleção brasileira tem demonstrado a sua eficácia, isto é importante porque até então, ela demonstrava eficiência, jogava com arte, mas não conseguia ser eficaz para ganhar a partida. Hoje, grande parcela da população poderia gritar: “que teu futuro espelhe esta grandeza!” Terra de encantos mil, mas também de desencantos, com a omissão do poder público, corrupção de políticos, desemprego, inflação com sistema ineficaz, superfaturamento de obras públicas, violência familiar e social, muitos impostos e ainda, órgãos públicos com funcionários marajás, que distribuem senhas até as 15(quinze) horas e depois os cidadãos brasileiros ficam ao léu da situação, e o povo é tratado como irracionais, não como seres humanos. Será que os gestores da máquina estatal não conhecem os princípios e fundamentos básicos de uma gestão? A competência, a motivação, a finalidade, o objeto e a forma, são importantíssimos em qualquer processo gestor. E gerir com legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, ter eficiência e ser eficaz, são princípios exigidos para a administração pública. Então, com estas concepções da administração geral, entende-se que, pode estar em falta os administradores que entendam e coloquem em prática uma exigência que deveria ser para todos, e principalmente, para a cúpula governamental, tanto no âmbito municipal, estatal, quanto federal. Não adianta um economista a tiracolo, o importante é uma gestão que saiba ouvir as bases de verdade, não somente, a cúpula com representantes que não sabem representar o povo que os elegeu, e nem apenas, os gestores das grandes metrópoles, as muralhas de concreto, a voz da democracia é o grito interligado à serenidade de todos na rua, que lutam pelo incremento democrático, ainda que tardia.

COLARINHOS VERMELHOS: O Brasil acordou

COLARINHOS VERMELHOS

Ainda bem que o Brasil acordou.
Semana passada estava recordando de nossos movimentos da década de 80, a Década Perdida considerada por todos, no entanto, a educação juntamente com o povo lutou e as Diretas aconteceu de fato. Foi muito bonito! Tenho orgulho de ter participado das reivindicações e ações em prol de um Governo Democrático, artigo 1º da Constituição Federativa do Brasil: ” O Estado é Democrático”.
A Democracia virou picardia com o povo brasileiro: Políticos que não nos representam, inflação, projetos escandalosos com o dinheiro público e o povo lamentando saúde, educação, transporte adequado e com condições para o ir e vir. Vergonha pública!
E os colarinhos vermelhos que contribuiram com os movimentos da virada, hoje, se escondem, acomodam e fazem o que bem quer com os projetos enunciados e prometidos, em épocas de campanhas políticas e pensam que o povo vai calar para sempre.
Acorda colarinho vermelho, vocês foram o grito da vitória, da esperança de dias melhores, mas não só de bolsinha vivem as famílias brasileiras. É preciso uma inclusão verdadeiramente fiel em todos os preâmbulos inclusivos. Uma maior consideração com aquele SER HUMANO que é racional. E para os irracionais, fundamentado nas concepção de Edgar Morin(2000), é necessário um projeto de maior humanização e contribuir para uma convivência social digna, para este povo que sabe gingar, mas também reinvindicar.
É preciso mesmo GRITAR, PIRRAÇAR, ESPERNEAR, sair do gostosinho, de “dentro do útero” porque os juros e impostos que pagamos são altíssimos. E cada mês que deixamos de pagar o aumento é abusivo. Será que os TUBARÕES estão pagando os impostos e taxas direitinho ou somente os PEIXES pequenos?
Hoje, os Colarinhos Vermelhos podem ser Tubarões, estarem no topo da maré alta, mas existem dias de prazer, alegria, e muita malhaAÇÃO, com poucas ações transparentes, verdadeiras e honestas, um “chove num molha” que até parece estar lidando com bonecos e bonecas de pano. 
Todavia, a “grande boneca de pano”  boladona, poderosa, chiquerrésima, pode ter seu tempo contado, porque agora os campos são e estão na rua. A torcida não é daquelas dita organizada, entretanto a revolta é grandiosa, e este povo sabe o que quer, e os centavos de transporte urbano é apenas um pretexto para o grito  contra os crimes dos COLARINHOS VERMELHOS. Já pensou que são 28 bilhões de reais gastos com os elefantes da bola? Sem considerar e nomear os outros muitos problemas advindos dos senhores laranjas e dos incontáveis de crimes contra a população brasileira: Nota… Nota… Nota…Nota….

Basta, a população cansou, o Brasil acordou, e as reivindicações se inserem na busca pela justiça, por um governo que saiba planejar, dirigir, controlar, avaliar e replanejar ações para um Brasil mais caloroso, afetuoso, que pensa em novas possibilidades para um povo, que não aguenta mais o poderio autocrata com fotos de democrata, ações invasivas, elitizadas, fantasiosas, onerosas e deprimentes.

Nestes tempos contemporâneos e tecnológicos, nossa guerra é pela paz e pela vida, “minha vida… minha vida”, não por um colarinho vermelho que ofusca o branco, mas não apresenta uma nova cor para esse Brasil de várias cores.

                                        Maria Helena Campos Pereira

INTERFACES CURRÍCULARES,

                                  INTERFACES CURRICULARES
 Maria Helena Campos Pereira

Resumo
O texto tem como objetivo fazer uma reflexão a respeito das interfaces curriculares, as críticas ao contexto da gestão educativa e polícas relacionadas, bem como as possibilidades de um currículo não fragmentado.

Palavras chave: currículo, poder, política e ideologia.     

Introdução

 

                  Inovar significa mudar, alçar novos voos em direção às transformações que possam contribuir com a melhoria dos processos. Assim, inovação curricular requer uma nova postura profissional, com ações mais democráticas e cooperativas em prol de uma educação menos verticalizada e mais espiral, menos disjunta e mais integrada, para que se consiga caminhar com a visão de ações e relações interdisciplinares.
                 Dessa forma, o projeto pedagógico curricular de uma instituição deve expressar uma atitude educacional, que consiste em dar um sentido, um rumo às práticas educacionais, onde quer que sejam realizadas, e firmar as condições organizativas e metodológicas para a viabilização da atividade educativa. (LIBÂNEO, 1998).
                O projeto é curricular porque propõe, também, o currículo, o referencial concreto da proposta pedagógica. O currículo é o desdobramento do projeto pedagógico, ou seja, a projeção dos objetivos, das orientações e das diretrizes operacionais previstas nele. Mas, ao colocar em prática esse projeto, o currículo também o realimenta e o modifica. Supõe-se então, estreita articulação entre o projeto pedagógico e a proposta curricular, a fim de promover um entrecruzamento dos objetivos e das estratégias para o ensino, os quais devem ser formulados com base na identificação de necessidades e de exigências da sociedade e do aluno, mediante critérios filosóficos, políticos, culturais e pedagógicos, a partir das experiências educacionais e devem ser proporcionadas aos alunos por meio do currículo.

                 Deve-se salientar que o projeto curricular é um documento que reproduz as intenções e o modo operacional da equipe escolar, cuja viabilização necessita das formas de organização e de gestão. Não basta ter o projeto, é necessário que seja utilizado no dia a dia da escola.
      A organização do processo de ensino e aprendizagem refere-se ao suprimento dos suportes pedagógicos necessários à organização do trabalho escolar. Compreende o currículo, a organização pedagógica e didática, tais como, planos, metodologias, organização dos níveis escolares, horários, distribuição de alunos por classe, assistência pedagógica sistemática aos professores, avaliação, ações de formação continuada, conselhos de classe, entre outros.
   Neste contexto, a direção e coordenação correspondem a tarefas agrupadas sob o termo de gestão, as quais se referem a todas as atividades de coordenação e acompanhamento do projeto pedagógico curricular em desenvolvimento, e deve priorizar o trabalho em equipe, a formação de grupos de trabalho, do líder, um relacionamento humanizado, afetuoso e de preocupação contínua com o indivíduo.  Então, ao construir uma prática coletiva, não se nega os conflitos, todos os dias pode-se ter um desafio a enfrentar, são sempre questões novas, no entanto, há que se errar, aprender e estudar sempre em organizações educativas com visões inovadoras.
  Portanto, ao realizar uma metáfora com a situação inovadora, pode-se relembrar Brecht (2006), “se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos, (…) fariam construir resistentes gaiolas no mar para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. (…) cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adotariam todas as providências necessárias. Naturalmente, havia também escolas nas gaiolas. (…) A aula principal seria, com certeza, a formação moral dos peixinhos”.
Este fragmento metafórico pode levar a uma reflexão crítica do processo educativo atual e ao mesmo tempo da gestão de cidades e os planejadores que poderiam investit melhor nos sistemas educativos. Para tanto, insere-se as definições  das possibilidades e interfaces curriculares.
Currículo e poder. Não se trata de dar um tom romântico a uma capacidade de revide e de resistência, mas de repensar a relação entre o poder e a vitalidade social na tecla da transcendência. Rios (2013) enfatiza que as regras devem existir desde que sejam questionadas e alteradas quando se mostram inconsistentes. Ela faz uma critica  ao referir-se a uma concepção de poder e autoridade ligada ao cumprimento estrito das regras, que não deixam espaço para a criatividade, estilos diferentes de agir e novas alternativas para a convivência são fundamentais no processo educativo. Autoridade sim, poderio não.
Currículo e política. Ao considerarmos as dimensões técnicas e políticas do currículo pode-se pensar que está interligado ao motivo das ações e porque as realizamos, isso de acordo com Rios (2013), nos remete ao político e a moral.
Currículo e ideologia. A escola é o aparelho ideológico do Estado, disseminador e produtor da ideologia dominante através dos conteúdos[1]. A cultura que tem valor e prestígio é a das classes dominantes, na medida em que obtê-la significa possuir vantagens materiais e simbólicas. (Bourdieu & Passeron[2]). Para estes autores, a escola seria a principal estrutura objetiva que molda mentalidades e comportamentos. Neste contexto, observa-se a importância dos espaços escolares na construção de um currículo de evidência crítica, política e sem partidarismos, para que se possa contribuir com a formação política e emancipatória do sujeito na sociedade. Assim, poder-se-á atuar e defender seus direitos e inová-los no âmbito profissional e social. Sujeito capaz de enfrentar o comodismo e agir com voz e pulso firme pelo que acredita e por si. Suas crenças, ainda que utópicas, podem mudar estratégias, discernir entre a hora do diálogo e do questionamento.
Ainda com os fundamentos de Bourdieu e Passeron, chegaram a fazer um apelo para que os professores, ao entenderem os mecanismos de reprodução do sistema capitalista, adotem uma ação pedagógica que fuja da política, quebrando com o reprodutivismo.
Portanto, ao analisar a gestão pelo ângulo das interfaces curriculares é importante compreender que ao invés da violência simbólica (Bourdieu) e da fragmentação é fundamental o currículo multidisciplinar com reflexões filosóficas que contribuam para uma aprendizagem fundada na ‘competência cultural e linguística herdada’, sobretudo, da família, que necessita contribuir e facilitar o bom desempenho escolar.
Se você fosse professor (a) na escola de tubarões, qual seria a sua maior inovação?


[1] Louis Althusser foi um filósofo francês de origem argelina.
[2] Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, concentraram sua atenção sobre a mesma questão trabalhada por Althusser: o entendimento da reprodução da estrutura social e do sistema de poder no âmbito capitalista. Pierre Bourdieu (1930-2002), filósofo francês de origem camponesa, foi professor universitário no “Collége de France”, tradicional e conceituada universidade localizada em Paris. Atuou nas mais renomadas universidades do mundo, como Harvard, Chicago e Frankfurt.
Referencias
CAMPOS, MH. Las relaciones interdisciplinarias en los proyectos educativos. Havana, Cuba: ISPEJV, 2002.
LIBANEO, Carlos. Educação Escolar: Políticas, Estruturas e Organização São Paulo: Cortez, 2003. Cap 1 e 2, 1998
RIOS, Terezinha Azeredo. O diferente do currículo. São Paulo: novaescola.org. br/gestão, fev/março,2013.
BOURDIEU & PASSERON. Os estudos de Bourdieu, Passeron, Bowles e Gintis. (apud) Para entender a história… ISSN 2179-4111. Ano 2, Volume mai., Série 16/05, 2011, p.01-06.