GESTÃO ESCOLAR DE QUALIDADE

 GESTÃO ESCOLAR DE QUALIDADE
 
                                                                      Maria Helena Campos Pereira
 
A escola é um todo interconectado e as ações devem ser interdisciplinares porque o sujeito é ativo, a vida é interdisciplinar e requer que haja métodos e vivências intra e interpessoais. Somos fruto de relações humanas afetivas, que nasce nas entranhas, por isso é inaceitável uma educação escolar e familiar que não valorize a afetividade. Diz Henry Wallon que educação e afetividade caminham de mãos dadas. E para que a gestão tenha significância no meio social tem que ser de qualidade, mas o que é qualidade? E um procedimento, no qual todas as pessoas, de todos os setores e níveis hierárquicos contribuem para a melhoria dos processos educativos escolares, de tal forma que, estas realizações possam surtir efeito na comunidade familiar e na sociedade em geral, pois os feitos benéficos da escola necessitam surtir efeito nas micros e macros sociedades.
 Neste contexto, insere-se a segurança no trabalho, a responsabilidade social e um programa de qualidade que requer um meio ambiente harmonizado e envolve a organização, higiene, limpeza, utilização e equilíbrio geral das ações, assim como aconteceu no Japão após a destruição do país no pós-guerra, período em que aconteceu a união de todos em prol da reconstrução de sua nação. Um ponto é chave, a varredura psicológica e ambiental, pois sem um equilíbrio emocional é difícil conseguir uma gestão de qualidades e o progresso de sua instituição.
Então, ao repensar a qualidade pode-se dizer que em um processo educativo onde se persegue esta categoria, a organização educativa deve se abarcar a posturas interdisciplinares, que requer um contínuo gerenciamento pessoal, o “eu” intra, para que haja condição de se relacionar consigo mesmo, e automaticamente, o “eu e o outro” para a interação com as outras pessoas. É impossível uma instituição, quer educativa ou de outro âmbito ambiental dizer que realiza ações interdisciplinares, se as pessoas não conseguem interagir, se não há espírito de união e trabalho cooperativo de fato, porque em ações interdisciplinares considera-se como pré-requisito, as possibilidades de um planejamento em que haja a participação de todos os envolvidos, com estratégias metodológicas que investiguem as necessidades, problemas, e ou pontos de melhoria, bem como, suas causas e consequências para a construção consensual de plano estratégico que nasça da realidade contextual, e com temas que não são impostos pelos superiores, mas priorizados pela equipe escolar.
Nesta perspectiva, os aspectos psico biológicos podem se inserir no assunto da segurança, bem como as questões estruturais e ambientais que requerem Serviço Especializado da Medicina do Trabalho – SESMT, que tem a função de alertar e dar instruções para os funcionários sobre o aparecimento de novas doenças, esclarecimentos sobre qualquer tipo de outras doenças e também evitar que pequenos acidentes de trabalho possam acontecer e prejudicar a organização educativa. Assim, “o cidadão somente se sentirá dono do espaço em que vive se aprender a construí-lo”(RIOS, 2013). Observa-se, que esta autora refere-se ao meio ambiente e ou espaço escolar, como um local de incremento da cultura organizacional, ou seja, das trocas de experiências de cada pessoa, de seus valores éticos para instituir a filosofia da organização, e do conhecimento democrático em detrimento ao autoritário, pois a democracia é a construção de um poder que emana de todos, com benefício individual e global.
 Esse saber democrático, no sentido da coletividade e da essência da palavra, indica a transcendência, a necessidade de mudar, justamente porque o homem não é um ser completo, nem imóvel, e o seu modo de ser no mundo é projetar-se, é fazer-se, é construir-se, para tornar-se aquilo que quer ser, de modo que, pode-se afirmar que o homem é aquilo que ele vai instituindo, com suas gestões e construções bem edificadas.
E uma gestão de qualidade requer um ambiente saudável, com professores e funcionários equilibrados, que incorporem e demonstrem posturas éticas, de forma que os homens vão se organizando e formando hábitos benéficos. Assim, trazem benefícios à segurança da comunidade escolar e da população planetária futura, se isso for uma ação contínua e de controle dos processos.

 

A responsabilidade social pode também contribuir para a incorporação de novos aspectos à exploração do meio ambiente, porque a capacidade de tentar antever as situações do mundo, de forma a resultar na capacidade de pensar “é uma forma abstrata de interagir com o meio ambiente”. (ASSMANN, 2004, p.151).
Dessa forma é importante lembrar que quando tudo na escola caminha adequadamente, as questões ambientais e administrativas também vão inferir nas ações que se inserem na responsabilidade social, quer com as pessoas ou com o meio em que elas vivem. E a potencialidade humana à pergunta, à pesquisa, ao estudo, à análise, à experimentação, vai sendo aperfeiçoada, ao longo do processo evolutivo dos seres humanos rumo ao conhecimento e à aprendizagem.
Portanto, há que se pensar em pequenas e grandes ações em que os estudantes, a família e toda a comunidade acadêmica possam interagir em prol de uma cidade planetária poderosa, que o poder comece com qualidade de vida e segurança. E esta conquista vem da persistência e do esforço, do empreendedorismo. No entanto, é mais que apenas simular situações cotidianas, existe neste ato um aspecto lúdico de integração com o meio ambiente, que gera pensamento e conhecimento, mas que acrescido por metodologias inovadoras é capaz de transformar o que é lúdico num recurso de caráter essencial e determinante, sobretudo, num processo de aprendizagem pedagógica e que tenha significância no meio social.
Referências Bibliográficas
ASSMANN, H. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. 8 ed. Petrópolis:Vozes, 2004, p.151.
CHIAVENATO, Idalberto. Administraçao nos Novos Tempos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004
LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos
conteúdos. 8 ed. São Paulo: Loyola, 1989.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 10 ed. São Paulo: Cortez,2005.

 

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