FILOARTE

            FILOARTE

          

                         Maria Helena Campos Pereira

                     O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar[1].

Filo, de Filosofia, arte do bem viver, tem como finalidade nos ensinar a virtude, princípio do bem viver, os questionamentos e indagações das estruturas de coisas, valores, idéias, suas origens e causas, assim como a capacidade de conhecer e pensar, a reflexão sobre o próprio pensamento.
A reflexão filosófica é um movimento em torno de si mesmo, para indagar as próprias ações, pensamentos e reflexões. Assim, filosofar significa a busca do próprio gerenciamento pessoal, uma luta por ações mais humanitárias que valorizem a liberdade de ação, a honra, que vislumbre a imaginação, avalie o domínio de si próprio e adicione com significância o amor à vida.
 E, ainda nesta definição considera-se que o filosofar seja uma procura constante por energias positivas, que considerem as inteligências pessoais adicionadas às ações conscientes de convívio em sociedade, que analisem as ajudas humanitárias, com distinção do verdadeiro e do falso, que auto gerencie o poder do perdão com facilidade. Que tenha medo do novo, do escuro, da tragédia da vida, e até mesmo da luz, porque nem tudo que reluz pode ser verdadeiro.
Nesta concepção de filosofar, o ser humano necessita ser autêntico, lutar pela justiça com sabedoria, pela vida e a convivência em sociedade, de tal modo, que haja benefício do mundo à sua volta, com uma poderosa força inquebrantável, para viver o presente com projeção de futuro e a harmonia no mundo.
No entanto, de acordo com Charles Chaplin, “não temos que ter medo dos confrontos porque até os planetas se chocam, e deles nascem as estrelas”.
A arte na Educação Básica é fruto de debates, questionamentos e confrontos. O processo de ensino e aprendizagem de arte no âmbito escolar foi redirecionado, a partir da década de 80, com a redemocratização do país, daí cursos de graduação e pós-graduação com amplas discussões fizeram surgir novas reflexões e concepções para o processo de ensino de artes no contexto escolar.
A nova Constituição Brasileira foi promulgada em 1988, l após a mudança de governo Militar para Democrático. Logo em seguida iniciaram-se as discussões sobre a nova LDBEN, mas nas primeiras versões não se cogitou a obrigatoriedade do ensino da arte nas escolas para a formação dos alunos. A partir de então, uma longa luta política, entre os arte-educadores brasileiros e até mesmo com professores universitários, que acreditavam nesta proposta de arte na educação foi se incorporando, para tornar a arte uma disciplina obrigatória com todas as suas especificidades, conteúdos, objetivos, metodologias e forma de se avaliar.
Dessa forma, com a promulgação da LDBEN, em 20 de dezembro de 1996, lei nº 9394/96, e com muito lutar, os arte-educadores conseguiram oficialmente a inserção do ensino de arte como conhecimento para toda a Educação Básica, que deverá promover o desenvolvimento cultural dos alunos, entre outros aspectos.
Nesta visão, o “ensino da Arte na Educação contemporânea reside na aldeia de reforçar e valorizar a herança cultural, artística e estética dos alunos, além de ampliar olhares, escutas sensíveis, e formas expressivas através de experiências estéticas e poéticas, com base nas inter-realidades que eles conhecem ou podem vir a conhecer.”[2]
Na atualidade, o ensino da arte no Brasil, em consonância com as perspectivas internacionais, tende à concepção de Arte como conhecimento, baseado na interculturalidade, na interdisciplinaridade e na aprendizagem dos conhecimentos artísticos, a partir de uma abordagem epistemológica, com a idéia de que arte se ensina e se aprende, na inter-relação entre o fazer, o ler e o contextualizar.[3]
Nesta perspectiva, considera-se que as várias formas de comunicação artística, tais como, artes plásticas, a música, artes cênicas, a dança e as diversas artes visuais, formam os pressupostos interdisciplinares, que se inserem na interculturalidade e nos aspectos sociais e filosóficos, que dão sentido ao processo de aprendizagem, com uma concepção didático-metodológica, que instiga a construção de currículos fundamentais ao interesse de cada grupo, ou classe social. Entretanto, é importante a garantia, das especificidades de cada linguagem artística, com epistemologias próprias.
Então, Filoarte é a concepção de pensamentos e reflexões filosóficas que se integram automaticamente, no campo do saber, considerando que educação é um processo que exige saberes diversificados, porque o sujeito é ativo, por isso, quer pelas vias idealistas, racionalistas, objetivistas e subjetivistas este site proporcionará construções e momentos diversificados que poderá contribuir com o processo educativo em seu contexto geral, mesmo porque, os desafios e propostas do campo filosófico têm papel fundamental na educação de jovens, crianças, adolescentes e adultos que perpassam pelo diálogo, investigação e construção do pensar. Portanto, FiloARTE é a revelação e manifestação da essência da realidade que pode muitas vezes está esquecida no âmago de nossa existência.
Concomitantemente, a vida pode ser mais simples do que a gente pensa, no entanto, é necessário aceitar o impossível, dispensar o indispensável e aguentar o intolerável porque o homem é um animal diferente dos demais, e só ele pode ter consciência de seus próprios atos.

[1]Jair Rodrigues. Felicidade. Música popular brasileira.
 [2]Brasil. Secretaria de Educação Básica. Pacto nacional pela alfabetização na idade certa/ Direitos de aprendizagem: Componente curricular Arte. Ano 01, unidade 07. Brasília: MEC, SEB, 2012.
[3]BARBOSA, Ana Mae. Museu de Arte Contemporânea. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1980.

             

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