{"id":311,"date":"2016-08-22T04:06:30","date_gmt":"2016-08-22T04:06:30","guid":{"rendered":"http:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/?p=311"},"modified":"2016-08-29T15:44:22","modified_gmt":"2016-08-29T15:44:22","slug":"poetica-e-etica-racional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/poetica-e-etica-racional\/","title":{"rendered":"PO\u00c9TICA E &#8216;\u00c9TICA RACIONAL&#8217;"},"content":{"rendered":"<table width=\"99%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"86%\">\n<h2><strong><span style=\"color: #000000;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0PO\u00c9TICA E &#8216;\u00c9TICA RACIONAL&#8217; <\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/em><em>O menino queria um burrinho para passear, um burrinho manso, \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><em>que n\u00e3o corra nem pule, mas que saiba conversar<a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em><em>.<\/em><\/span><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao abordar sobre \u00e9tica racional, nos faz refletir a respeito do poema, o menino azul, quando Cec\u00edlia Meireles relata que o menino queria um burrinho manso e que soubesse conversar, nesta sua met\u00e1fora, ela parece referir justamente, a um ser irracional, o burrinho, mas com atitudes racionais, porque saber conversar e ser suave, \u00e9 significativo para um ser humano que realmente precisa ser racional. O n\u00e3o correr\u00a0 e nem pular, tamb\u00e9m pode significar a correria da vida e o ultrapassar os limites dos outros para alcan\u00e7ar a qualquer custo os objetivos individuais, por\u00e9m, sem preocupar com as consequ\u00eancias do pr\u00f3ximo, que nos parece uma a\u00e7\u00e3o anti\u00e9tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim, a \u00e9tica kantiana est\u00e1 centrada na no\u00e7\u00e3o de dever. Parte das ideias da vontade e do dever, conclui ent\u00e3o pela liberdade do homem, cujo conceito n\u00e3o pode ser definido cientificamente, mas que tem de ser postulado sempre, sob pena de o homem se rebaixar a um simples ser da natureza. Kant tamb\u00e9m reflete, \u00e9 claro, sobre a felicidade e sobre a virtude, mas sempre em fun\u00e7\u00e3o do conceito de dever. \u00c9 famosa, na obra de Kant, sua formula\u00e7\u00e3o do chamado \u201cimperativo categ\u00f3rico\u201d, nas palavras: \u201cAge de tal modo que a m\u00e1xima da tua vontade possa valer sempre ao mesmo tempo como princ\u00edpio de uma legisla\u00e7\u00e3o universal\u201d. Kant reconhece que esta \u00e9 apenas uma f\u00f3rmula, por\u00e9m ele, que gostava tanto das ci\u00eancias e que n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de criar uma nova moral, estava apenas preocupado em fornecer-nos uma forma segura de agir. Sua \u00e9tica \u00e9, pois, formal, alguns at\u00e9 dir\u00e3o formalista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pensador alem\u00e3o, com seu imperativo categ\u00f3rico, forneceu, na pr\u00e1tica, um crit\u00e9rio para o agir moral, que diz, se queres agir moralmente, isto \u00e9, para Kant, racionalmente, o que ali\u00e1s tu tens de fazer, age ent\u00e3o; de uma maneira realmente universaliz\u00e1vel. Aqui est\u00e1 o segredo da \u00e9tica kantiana: A universaliza\u00e7\u00e3o das nossas m\u00e1ximas, em si subjetivas, \u00e9 o crit\u00e9rio. A moral kantiana, de certo modo, tamb\u00e9m pressup\u00f5e um conceito de homem, como um ser racional que n\u00e3o \u00e9 simplesmente racional. Portanto, um ser livre, mas ao mesmo tempo atrapalhado por inclina\u00e7\u00f5es sens\u00edveis, que ocasionam que o agir bem se apresente a ele como uma obriga\u00e7\u00e3o, como uma certa coa\u00e7\u00e3o, que a sua parte racional ter\u00e1 de exercer sobre sua parte sens\u00edvel. O dever obriga, for\u00e7a-nos a fazer o que talvez n\u00e3o quis\u00e9ssemos ou que pelo menos n\u00e3o nos agradaria, porque o homem n\u00e3o \u00e9 perfeito, e sim dual. Mas o dever, quando nos for\u00e7a, obriga a fazer aquilo que favorece a liberdade do homem, porque o homem \u00e9 um ser aut\u00f4nomo, isto \u00e9, sua liberdade, no sentido positivo, consiste em poder realizar o que ele v\u00ea que \u00e9 o melhor, o mais racional. Poder realizar significa: causar por vontade pr\u00f3pria um efeito no mundo, ao lado das causas naturais que pertencem, como diz Kant, \u00e0 maneira newtoniana, ao mecanismo da natureza.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O homem, neste sentido, \u00e9 legislador e membro de uma sociedade \u00e9tica: \u00e9 legislador porque \u00e9 ele que v\u00ea o que deve ser feito, e \u00e9 membro ou s\u00fadito porque obedece aos deveres que a sua pr\u00f3pria raz\u00e3o lhe formula. Neste sentido, ele n\u00e3o tem um pre\u00e7o, mas uma dignidade, e \u00e9 por isso, que a segunda f\u00f3rmula do imperativo categ\u00f3rico diz para agirmos de modo a n\u00e3o tratar jamais a humanidade, em n\u00f3s ou nos outros, t\u00e3o somente como um meio, mas pelo menos \u00a0como um fim em si. Ent\u00e3o, isso poderia chamar de uma \u00e9tica do respeito \u00e0 pessoa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Neste caso, por que n\u00e3o dizer tamb\u00e9m o respeito ao meio ambiente? Ou seja, o local onde vivem as pessoas, os bichos, as coisas. Dessa forma, podemos retomar o fragmento po\u00e9tico de Meireles que diz: <em>o menino quer um burrinho que saiba inventar hist\u00f3rias bonitas, com pessoas e bichos, que saiba dizer o nome dos rios, das flores, e de tudo que aparecer. <\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Portanto, a \u00e9tica racional, que enfatizamos, tamb\u00e9m com as teorias kantiana, refere-se a este ambiente, onde existem seres humanos que s\u00e3o altru\u00edstas, equilibrados, que primam por um conhecimento integrado, global e humanista. Que mesmo em meio a tempestades, sempre h\u00e1 um lugar para a subjetividade e a po\u00e9tica, como forma de se trabalhar e vivenciar a \u00e9tica e pr\u00e1tica educativa.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\">\u00a0___________<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em><span style=\"color: #000000;\">* Prof. Dr. Alvaro L. M. Valls.Dep. Filosofia \u2013 UFRGS.<\/span><\/em><em style=\"color: #000000; line-height: 1.71429; font-size: 1rem;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 ** Adaptado por CAMPOS\u00a0 P., M\u00aa Helena. <strong>\u00c9tica e pr\u00e1tica educativa<\/strong>. Governador Valadares: UNIPACGV, 2016 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/em><\/span><span style=\"color: #000000;\"><em>\u00a0<\/em><a style=\"color: #000000;\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> MEIRELES, Cec\u00edlia. <strong>O Menino Azul<\/strong>. Poema infanto juvenil.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0PO\u00c9TICA E &#8216;\u00c9TICA RACIONAL&#8217; \u00a0\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=311"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":316,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/311\/revisions\/316"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/filoarte.com.br\/filoarte\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}