Açucareira e Suaçuí
                             Nena Campos[1]
Tempos de cana de açúcar!
Linda a Açucareira,
Histórias que não tem fim,
Momentos que doem em mim.
Foram dias de alegria
De muita coisa à revelia,
Não posso dizer, covardia,
O povo nem sempre sabia.

Sofriam muitas Marias
Josefas, Joaquinas e Farias.
Mas, na verdade o que queriam
Era um amor que temiam
Neste tempo o povo vivia
Era um mundo de poesia!…
E, no povoado, as pessoas se viam
Mas, muitos sujeitos sofriam.
Questão de arrebatação
Um tipo de agressão
Que poucos entendiam
O domínio do poder,
A linguagem da força,
Indiferença dos seqüestradores,
Hoje é caso de historiadores,
De poetas e trovadores.
Que diga o Rio Suaçuí!
As vidas, que nem eu vi,
Vias, pedras e arremessadores,
Mas,…não tenho olhos e nem ouvi.
Hoje sou doido para ti…
Quisera poder falar forte,
Mas, nem mesmo a parentela.
Fugira das respostas dele(a)s
Não sou cega, mas não vi.
Só sei que doido é quem diz.
Melão com açúcar é o que eu fiz.       


[1] Nome artístico de Maria Helena Campos Pereira, Mestre em Ciências da Educação por Cuba, doutoranda pela UMa em Funchal, Portugal. Gosta reviver os momentos da História com escritos poéticos. Atualmente é professora de Filosofia para crianças e adolescentes, e Gestão de processos educativos, é fascinada  pela educação inovadora, com muitos contos, músicas e poesias.

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